O Google é, sem dúvida, o ponto de partida para a maioria das nossas pesquisas online. Mas será que todos competem em pé de igualdade? Um estudo recente da SparkToro, que analisou 332 milhões de pesquisas no Google, revela uma tendência preocupante: as grandes marcas e monopólios estão a conquistar cada vez mais espaço nos resultados de pesquisa, enquanto sites menores lutam para se destacar.
Desvendando a Intenção por Trás da Pesquisa
Antes de analisarmos as implicações desta tendência, vamos perceber como as pessoas usam o Google. Segundo o estudo, a maioria das pesquisas (51%) tem caráter informativo, ou seja, os utilizadores procuram factos ou conhecimento. Em seguida, temos as pesquisas de navegação (33%), que visam direcionar o utilizador para um site específico, como o Facebook ou a Amazon. As pesquisas comerciais (15%) representam utilizadores que exploram produtos ou serviços sem intenção imediata de compra. Por fim, apenas 0,7% das pesquisas são transacionais, com o objetivo de realizar uma compra ou inscrição.

Marcas Conhecidas vs. Termos Genéricos
Uma das descobertas mais relevantes do estudo é que 44% das pesquisas são de marca, ou seja, incluem nomes como “Amazon”, “YouTube” ou “Facebook”. Isto significa que quase metade das pesquisas já tem um destino pré-definido, favorecendo as grandes marcas com forte reconhecimento. Apesar de os termos de marca terem maior volume de pesquisa, as pesquisas genéricas ainda dominam em diversidade, o que representa uma oportunidade para as pequenas empresas.
O Que as Pessoas Procuram no Google?
O estudo da SparkToro também revelou insights interessantes sobre os temas mais pesquisados. O entretenimento lidera o ranking com 25%, englobando filmes, celebridades e jogos. Outras categorias importantes incluem educação, saúde e finanças. Curiosamente, o conteúdo adulto representa apenas 3,6% das pesquisas.
A Concentração da Procura
Outro dado preocupante é a concentração da procura em poucas palavras-chave. Os 10 mil termos mais pesquisados representam 46% do total da procura, enquanto a “cauda longa” (termos com menos de 11 pesquisas por mês) representa apenas 3,6%. Esta realidade dificulta a vida das pequenas empresas, que muitas vezes dependem de nichos específicos e palavras-chave menos populares.
O Google como Ferramenta de Pós-Descoberta
O estudo também destaca que o Google está a tornar-se uma ferramenta de pós-descoberta. Isto significa que os utilizadores já identificaram a sua necessidade noutras plataformas, como redes sociais e YouTube, e recorrem ao Google para encontrar a solução. Esta mudança de comportamento reforça a importância de uma estratégia de marketing digital integrada, que englobe diferentes canais e plataformas.
O Domínio dos "Cliques Zero"
Com o aumento das respostas diretas e dos resumos gerados por inteligência artificial, o Google está a reduzir a necessidade de clicar em links externos. Este fenómeno, conhecido como “cliques zero”, impacta diretamente o tráfego de muitos sites, especialmente os que dependem do Google para gerar visitas.

A Importância da Presença da Marca
O facto de um terço das pesquisas serem de navegação reforça a importância de gerir os resultados de pesquisa da marca. Uma presença online forte e positiva é crucial para atrair clientes e construir uma reputação sólida.
O Que as Pequenas Empresas Podem Fazer?
Perante este cenário, as pequenas empresas podem sentir-se desencorajadas. No entanto, existem estratégias eficazes para competir num ambiente dominado pelas grandes marcas:
- Foco na cauda longa: em vez de competir por palavras-chave genéricas e altamente competitivas, concentre-se em nichos específicos e palavras-chave de cauda longa. Por exemplo, uma loja de roupa online, em vez de tentar posicionar-se para “roupa feminina”, pode focar-se em “vestidos vintage anos 50 Lisboa”.
- Conteúdo de alta qualidade: invista em conteúdo original, relevante e otimizado para SEO, que responda às dúvidas e necessidades do seu público-alvo. Um blog com artigos informativos, tutoriais em vídeo ou ebooks gratuitos são exemplos de conteúdo de valor.
- Presença online diversificada: não dependa apenas do Google. Explore outras plataformas, como redes sociais, YouTube e email marketing, para alcançar o seu público. Criar uma página no Facebook, um canal no YouTube ou uma newsletter regular pode ajudar a alcançar novos clientes.
- Construção de marca: invista na construção de uma marca forte e reconhecível, que se destaque da concorrência. Um logótipo original, uma identidade visual consistente e uma comunicação autêntica são elementos chave para a construção de uma marca memorável.
- SEO local: se o seu negócio tem uma localização física, otimize o seu site para pesquisas locais. Utilize o Google My Business para criar um perfil completo e atualizado da sua empresa, com fotos, horário de funcionamento e avaliações de clientes.
A Importância da Publicidade Online
Para além das estratégias mencionadas, a publicidade online é uma ferramenta poderosa para as pequenas empresas competirem com as grandes marcas. Através de plataformas como o Google Ads, é possível criar anúncios segmentados que aparecem nos resultados de pesquisa para palavras-chave relevantes. As campanhas de publicidade online permitem alcançar um público-alvo específico, controlar o orçamento e medir os resultados de forma precisa.
Implicações Éticas do Domínio das Grandes Marcas
O domínio das grandes marcas nos resultados de pesquisa levanta questões éticas importantes. A concentração de poder nas mãos de poucas empresas pode prejudicar a concorrência, limitar a diversidade de informação e influenciar as escolhas dos consumidores. É crucial que os motores de busca, como o Google, promovam a transparência e a equidade nos seus algoritmos, garantindo que as pequenas empresas tenham a oportunidade de competir de forma justa.
Em suma, o domínio das grandes marcas no Google é uma realidade, mas não é o fim da linha para as pequenas empresas. Com estratégia, criatividade, persistência e as ferramentas certas, é possível conquistar o seu espaço online e alcançar o sucesso.
No Comment! Be the first one.